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Um filho da cultura

A notícia que está na boca das pessoas de todo o mundo é apenas uma: a morte daquele que é considerado o rei da música pop, Michael Jackson.

Em meio aos inúmeros depoimentos sobre este artista um, em minha opinião, sintetizou muito bem o que Michael Jackson representava. Segundo o cantor Jorge Mautner, Michael Jackson,“dos pés à cabeça, foi um filho da cultura”.

Penso que é uma ótima definição, que me faz pensar sobre os produtos de nossa cultura. Será que eles propõem uma existência saudável para o ser humano?

Ao olhar para a vida de Michael Jackson, que era um dos grandes produtores culturais e, acima de tudo, um produto dela, afirmo que a resposta é não. Parece que ele nunca se encontrou como indivíduo e partiu em uma jornada que, infelizmente, não havia final, a busca de uma identidade culturalmente mediada.

É triste perceber que nossa sociedade propõe uma existência caótica, na qual o ser humano não consegue valorizar a si e aos outros por aquilo que têm de mais singular, mas tende a viver a partir dos pressupostos apresentados pelos meios de comunicação, que não têm compromisso algum com o bem-estar das pessoas.

informação que desinforma

É triste constatar que grande parte da informação oferecida não tem relação alguma com as questões essenciais da vida.

Na verdade, ela funciona como um elemento de alienação, pois dirige o olhar para questões irrelevantes.

Impressão

A profusão descontrolada de informações me dá a impressão de que estamos cada vez mais desinformados.

"As pessoas precisam comer todos os dias. O que é óbvio para você é um sonho para muitos." Chamada de um programa sobre a crise de alimentos da "Globonews".

A praga dos especialistas

Ontem, ao sair do trabalho peguei um caderno de um grande jornal de nosso país que se caracteriza pela qualidade dos artigos ali publicados. Lendo os textos, que versavam sobre inúmeros assuntos, comecei a pensar como nossa forma de pensar é pautada pelo que lemos, vemos e ouvimos.

Parece-me que a visão de mundo que muitos de nós temos é produto das interpretações de indivíduos que têm algum status social. Por outro lado, cada vez mais se perde a prática de criticar e analisar as “verdades” que ouvimos – infelizmente esta é uma realidade que acontece tanto fora como dentro das igrejas.

Assim, surgem os especialistas em sexo, família, casamento, futebol, religião, oração, adoração e por aí vai, que, pretensamente, nos guiarão pelo melhor caminho.

Eu particularmente olho com certa restrição os ditos especialistas, talvez por certa arrogância. Porém, não consigo aceitar que um ser humano como eu, com as mesmas limitações e potencialidades que tenho, possa me dizer que caminho optar no meu viver pelo simples fato de ter se “especializado” em determinada área do conhecimento.

As circunstâncias de nossa vida não podem ser contidas em uma bula, na qual haverá respostas para todas as dificuldades e questionamentos que surgirem. Porém, viver é lidar com o desconhecido, enfrentar o novo, temer o que não se pode prever.

É fato que, como cristão, tenho em Deus um “especialista” em todas as áreas, que pode usar outras pessoas para me ajudar a caminhar.

No entanto, não suporto mais o discurso de indivíduos - que na verdade buscam apenas alcançar benefícios pessoais com seu conhecimento – que têm a pretensão de afirmar o que é melhor ou pior para os outros.

Em tempos de tantos caciques, temos que deixar de lado o cocar e dobrar os joelhos para que, com humildade, nos deixemos ser conduzidos pelo Pai das Luzes.